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quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Finitude e Vida...

No último domingo, enquanto esperava o ônibus, fiquei observando um pomba que buscava alimento em meio ao lixo.

Consideramos esse tipo de animais irracionais e então eu fico pensando até que ponto a nossa racionalidade nos é benéfica. Até que ponto ela nos favorece e nos permite trilhar bons caminhos e termos boas atitudes.

Até que ponto a nossa racionalidade nos permite aceitar as coisas como elas são. Aceitar que há coisas que nunca estarão ao nosso alcance controlar.

Neste momento me surgiram dois conceitos interessantes. E talvez seja interessante observar sob um prisma diferente.

Um dos conceitos é o de finitude. Por definição temos que finitude é
  1. qualidade, propriedade ou condição do que é finito;
  2. fato de ser qualitativamente finito, limitado.
Seres vivos são finitos. Afinal, a morte é uma condição da vida. É a única certeza presente a partir do momento em que nascemos. 

É a uma das poucas coisas da vida com a qual não sabemos lidar. E, não saber lidar com a perda, com a finitude nos leva a um patamar complicado, onde são desencadeados sofrimento, angústia, depressão e tantos outros sentimentos que não seria possível nomeá-los.

Isso faz parte da vida. 

Em situações naturais ou não, a morte estará sempre presente.

O outra conceito é o de vida. E ninguém precisa de dicionário para saber sua definição. 

Estar com vida é uma condição incrivelmente fantástica, porém tão corriqueira que não damos a devida atenção ao que precisamos para nos mantermos vivos. Para nos mantermos bem.

Manter uma boa qualidade de vida passa por diversos aspectos, entre eles, a boa alimentação, a saúde emocional, socialização, bem estar.

Falando de saúde emocional podemos pensar nas doenças que mais têm sido diagnosticadas e, algumas vezes, até de modo precipitado, medicadas. Não que depressão e ansiedade não necessitem de medicamentos. Mas, talvez, apenas talvez, uma terapia consiga resolver e, aos poucos, sem usar medicamento, a pessoa consiga se recuperar. Depressão e ansiedade surgem, na maioria das vezes, por não percebermos e não valorizarmos nossos limites e nossas vontades. Ficamos pensando e andando em círculos, na vontade de que algo aconteça do modo como desejamos - mais uma vez, uma situação que não está ao nosso alcance.

Falando de socialização, cada vez mais estamos fechados e presos em celulares e tablets, vivendo vidas virtuais. E as crianças já vivem estas situações. E isso leva à dificuldade de lidar com as coisas da vida, provocando ansiedade, que pode levar à depressão. 

Um círculo vicioso?

E, claro, não poderia faltar, falemos de alimentação. Mas, mais do que isso, falemos de bem estar, de boas sensações, de alegria, de prazer.

Uma alimentação equilibrada nos favorece isso, e muito mais. Quando comemos de modo equilibrado, consumindo todas as comidas que precisamos e, também, as que desejamos, em quantidades adequadas para promover satisfação e que permita ter qualidade, nos sentimos bem. Nos sentimos felizes.

Quando fazemos uma dieta, nos restringimos, excluímos da nossa vida grupos alimentares inteiros, comidas que apreciamos, sem as quais não poderíamos viver sem, isso também provoca problemas.

Entre estes problemas, crises de ansiedade - que podem levar à depressão. E que, fatalmente, levam a quadros de compulsão alimentar. Vontades desesperadoras de comer justamente o que "é proibido".

Contar uma coisa pra vocês: isso leva à situações de doença. E, talvez, não apenas uma doença visível, palpável, mas emocional. Desequilibra todo o organismo. Então pode provocar muitas mudanças, e, quem sabe, piorar quadros já presentes de ansiedade, depressão, síndrome do pânico... E tantas outras coisas podem acontecer...

Existem coisas que estão fora no nosso alcance controlar. 

Nosso corpo, em grande parte por programação genética, está incluso. E não há dieta que modifique programação genética, biotipo. Você pode melhorar seus hábitos alimentares e melhorar seu estilo de vida, mas se seu corpo precisar ficar no peso X, ele vai continuar no peso X, mesmo que você corte um monte de coisas e depois volte a consumi-las. Isso é parte do que chamamos biotipo, programação genética.

Acredito que talvez seja o momento de compreendermos que as propagandas de "emagrecimento definitivo" são falsas e só existem porque as compramos como verdadeiras. 

É hora de tentarmos compreender que existem coisas que não deveriam se modificar, e entre essas está o seu amor próprio e autocuidado

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Body Positive... Ou seja quem e como você quiser ser.

A pessoa chega na nutricionista, aquele carão, morrendo de vontade de nem ter entrado na sala/consultório.

E já solta um "Ok, nutri, passa a dieta! Vai tirar o quê, o pão, o macarrão, o arroz, minha cervejinha com os amigos?  Vai me mandar pra academia que eu sei... Eu preciso mesmo emagrecer né? Olha essa pança! [E aí puxa, ou tenta puxar, a pele da barriga pra justificar essa fala]

E, oh, contar uma coisa pra vocês... Isso não acontece só com gente nova não, viu?
Tem muita pessoa adulta e idosa que chega com esse discurso. Mas a grande maioria é de mulheres. Fato. Os homens chegam com um discurso mais de saúde ou "porque o médico mandou mas eu não sei o porquê, porque EU NÃO PRECISO EMAGRECER".
E aí tu pesa o velho e dá um IMC de 36, 37... Até pra idoso, isso é obesidade.

Ok, mas o assunto aqui não é obesidade. Nem idosos.

O assunto aqui é  COMO VOCÊ SE VÊ.

Tem gente magra que acha que é gorda e aí faz o que? Dieta.

Tem gente gorda, aterrorizada pela família/amigos/vizinhos, que vai atrás de dieta.

Tem gente na academia, mas muitos não estão lá para fazer uma atividade física que lhes dê prazer. Estão lá para emagrecer. E tome dieta. Nesse caso cheia de batata doce e filé de frango porque PODE... Ah, e tem whey também. Esquece fígado e rins. Associa um detox que tá lindo! :~~

Cara, será que ninguém consegue mais olhar para o corpo do outro e ignorar seu formato? Enxergar a pessoa que existe ali, de verdade?

Cada um é como é e como quer ser e ninguém tem nada com isso. Exceto o próprio dono do corpo em questão - que é quem vai sofrer os amores e desamores de ser quem é.

Ser mulher já é uma 'minipremissa' de "ter que ser magra". Porque "ser magro é ser saudável." Só que não!

Se for uma mulher gorda então... Tá liberado geral todo e qualquer um falar que precisa emagrecer, afinal, "como vai arrumar um namorado gorda desse jeito?"

Ou assim, "você tem um rosto tão lindo, porque não emagrece?  Será que não pensa na sua saúde?"

Agora, se é o cara, o sujeito homem, ele pode ser um pouco mais 'cheinho', porque homem 'grande' protege. A saúde dele não interessa a ninguém. Seu rosto até pode ser lindo, mas ninguém dá a dica pra ele emagrecer.

Ao mesmo tempo, se é magro demais, e entra na academia,  é o frango, o fracote, que não aguenta se colocar uma anilha a mais de cada lado. Mas vai o cara gordo pra academia pra ver? A zoação é imensa se ele não vai pros aparelhos e só faz esteira... Mas ninguém chama ele de frango. Apesar dos risos apontarem o contrário.

E, além do mais, o gordo aprende que "todo gordo é engraçado", e aí via o palhaço da turma, mesmo sem querer. Mesmo chorando por dentro e querendo sumir do mundo.

Gente, tá mais que na hora de parar de criticar, "dar dicas", se "preocupar com a saúde da galera"...

As pessoas são como são... E cada um é como é. E todos são lindos, cada um à sua maneira. E todos também tem histórias, sentimentos, vontades, verdades, amores, dores...

Tá mais que na hora de pensar em si. Mas que tal sermos gentis?
Que tal um elogio, ao invés da crítica?

Seus olhos, seus cabelos, seu modo de pensar, seu modo de se vestir, seu estilo, suas unhas, seu gosto musical, seu gosto para filmes ou séries... O jeito de conversar com outra pessoa, sua positividade, seu sorriso... O bolo maravilhoso de chocolate com cobertura que só você sabe fazer... Ou pode ser o de fubá, ou de cenoura... É dá pra comer sem culpa e com muito amor - por si e pelo bolo [ou qualquer outra comida]...

Todos somos belos, mas estamos deixando que nos digam o contrário e estamos permitindo que isso nos faça sentir menos e menos e menos... Estamos acreditando que temos mais defeitos que qualidades.

E pra mudar isso, não tem que emagrecer não.

Nem todo gordo é saudável, nem todo magro é doente. E o oposto também se aplica.

Estar acima do peso, com mais gordura corporal ou não, traz consequências para o corpo físico a longo prazo, mas isso não quer dizer que seja necessariamente feio, doente...

Minha adolescência e boa parte da minha vida adulta, cansei de ouvir tudo isso. Depressão, tristeza, raiva, sensações de incapacidade, dores...

E, pensando na saúde, há 10 anos e 10 meses operei o estômago. Mais mudanças, elogios, dores, remédios, cuidados e acompanhamento clínico constante. Mais depressão, mais raiva, mal humor... Mas a gente é forte e tem que dar conta. E tenta deixar os outros para lá. Só o travesseiro ou o ralo do chuveiro conhece a verdade.

Mas os outros não te deixam pra lá. E tome crítica - porque você foi fraco,  sem FFF (foco, força, fé) e precisou de artifícios para emagrecer e melhorar algumas coisas que já estavam começando a ficar ruins. Behhh!
Falei que magro é saudável?

Emagrecer, para quem é muito gordo, pode trazer melhora nas doenças que estão se instalando, mas sabe o que acontece antes?

Você MODIFICA hábitos alimentares. RETIRA excessos. Passa a se MOVIMENTAR mais.

E isso se chama modificar COMPORTAMENTO.

MEV. Uma sigla no meio clínico que significa Mudança de Estilo de Vida.

E MEV ajuda qualquer um a melhorar e, de quebra, se sentir bem consigo, sabe por quê?

Porque você passa a prestar mais atenção em você. Nas suas vontades, na sua saciedade, no seu humor, no seu querer. E deixa os outros de lado, falando sozinhos se assim ainda quiserem.

Ser como é, não é crítica, menos ainda demérito.
Magros ou muito magros, gordos ou muito gordos, atrapalhados ou não, cristãos ou não, conhecedores de informática ou não, manjando tudo do que quer que seja ou não.

Cada um é como é. E tá legal ser assim. E se amar e se curtir assim.

E essa conversa que te deprecia ou te entristece, não é pra você.

Pra você é só amor. Seu corpo funciona do modo que precisa, no peso que precisa, no tempo que precisa. Ele é seu e de mais ninguém. (A não ser que você resolva doá-lo para estudo, daí muda de dono mesmo.)

Me dizer que ser magro é ser saudável, quando vejo tantos magros vivendo de fast food, passando o dia sem uma movimentação física qualquer, vivendo de cerveja e cigarros... Ok. Tem gordos que fazem isso também. Isso, sim, é, provavelmente, não ser saudável.

Mas o tamanho do corpo que faz isso, sozinho, não é sinônimo de falta de saúde, quiçá de doença.