Encontrei informações bastante interessantes.
Nada conclusivo, obviamente, como de praxe. Aliás, como deveria ser de praxe - UM artigo/estudo, ainda que tenha relevância, não deve apresentar conclusões, mas sugestões e, a partir dele, ampliar.
É um artigo da Revista Lancet, que fala sobre a Nutrição Pré-Natal, Condições Sócio-ambientais e Desenvolvimento Infantil.
Em 2016 eu resolvi escrever um livro sobre Alimentação para Bebês, baseada na minha experiência enquanto mulher, mãe, nutricionista, pessoa. E, apesar de todas as dificuldades dos primeiros seis meses, do primeiro ano, e de todos os outros dias até aqui, continuamos nas tentativas e no acerto e erro de cada dia. Na próxima semana, meu bebê completa 7 anos e 4 meses. E seguimos nos desafios.
Pelas influências minhas e de todos os que convivem ou conviveram comigo, sempre acreditei que alguns padrões de pensamentos não deveriam (e não devem) ser únicos. E que suplementar a alimentação, nem sempre, é apenas suficiente, tanto quanto é necessário em diversos casos.
Por protocolo mundial, durante a gestação é necessária a suplementação de Ferro e Ácido Fólico (vitamina B9 ou Folato). Na realidade, essa suplementação deveria ter início até uns 90 dias antes da concepção, para a futura mãe já entrar no processo gestacional com reservas adequadas ao desenvolvimento fetal.
Apesar disso, o foco desse artigo vai muito além disso.
O texto do autor aponta que muito mais se precisa além disso.
"Em The Lancet Global Health, Prado e co-autores3 acompanharam o grande estudo SUMMIT de micronutrientes múltiplos na Indonésia e analisaram o efeito da suplementação de micronutrientes múltiplos pré-natal (MMN), bem como as associações entre outras condições biomédicas e socioambientais precoces e a cognição das crianças acompanhadas da idade de 9-12 anos. Os pesquisadores avaliaram diferentes aspectos do desenvolvimento cognitivo: capacidade intelectual geral, memória declarativa, memória processual, função executiva, desempenho acadêmico, destreza motora fina e saúde socioemocional."
É necessário um ambiente adequado para o desenvolvimento dessa criança. São necessários estímulos, desde o início da gestação, para que a criança tenha um desenvolvimento pleno. E não apenas micronutrientes. Claro, como o próprio autor cita,
"Recomenda-se a obtenção de evidências da força relativa de efeitos para os micronutrientes e de associações com outras condições biomédicas e socioambientais para o desenvolvimento. As condições socioambientais, como a educação dos pais, o nível socioeconômico, o ambiente doméstico e a depressão materna, pareciam ser determinantes mais importantes do que os determinantes biológicos medidos."
Porém, talvez seja necessário avaliar os tantos outros aspectos que envolvem o desenvolvimento cognitivo de uma criança - partindo desde a concepção, passando pelo nascimento, a primeira infância, a socialização e a partir de que idade esta socialização se inicia, em que época e através de qual método é iniciada sua alfabetização...
Então, acredito ser bastante plausível quanto o autor questiona se
"É seguro dar apenas micronutrientes múltiplos quando a ingestão de alimentos é insuficiente?"
Pois, muitas vezes, em vários países, estados e cidades no mundo, há escassez de alimentos ou, quando muito, escassez na variedade destes alimentos. O que talvez não justifique que suplementar é inútil, não, mas que deve ser dada maior atenção a esta mãe. E com esta maior atenção, melhor acesso a alimentos em quantidade e qualidade variadas e adequadas.
O autor finaliza apontando que
"A nova Estratégia Global da ONU para a Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente 2016-309 enfatiza que todas as mulheres, crianças e adolescentes devem ter oportunidades iguais de prosperar e apela a um novo conjunto de prioridades globais de pesquisa. Precisamos melhorar as intervenções e melhorar Seu impacto. Precisamos de mais estudos de acompanhamento de intervenções precoce, como o estudo de Prado e colegas. Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável exortam as famílias, as sociedades e os atores globais do desenvolvimento a empenharem-se em cuidar e fornecer oportunidades de aprendizagem. Esses esforços devem ser amplos e incluir saúde, nutrição, educação e proteção à criança. As intervenções devem ser fornecidas ao longo do ciclo de vida. Os programas nacionais e globais são necessários para enfrentar este desafio. Investimentos substanciais no desenvolvimento infantil são a base para o desenvolvimento sustentável nos próximos anos."
Então, a partir disso, talvez seja bastante plausível questionar se apenas suplementar ferro e ácido fólico é suficiente.
Talvez seja muito mais interessante garantir alimentação, hidratação, acesso a cuidados de saúde adequados para a mãe, mesmo antes de a mulher engravidar.
- Artigo original disponível em: http://www.thelancet.com/journals/langlo/article/PIIS2214-109X(16)30356-4/fulltext?elsca1=etoc. Acessado em 17/01/2017.
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